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Ministério da Saúde destaca avanços da Ripsa no Abrascão 2025 e reforça integração de dados para qualificar políticas públicas

O Ministério da Saúde participou, em 2 de dezembro, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), da mesa-redonda “Fortalecendo a evidência para a ação: a Ripsa e a produção interagencial de indicadores básicos de saúde na era digital”, realizada durante o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão). O encontro reuniu mais de 150 participantes e apresentou os principais avanços da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa) na geração, qualificação, análise e disseminação de dados e indicadores aplicados à gestão das políticas públicas de saúde no Brasil.

Ripsa como eixo de qualificação das decisões

O debate foi aberto por Paulo Eduardo Guedes Sellera, diretor do Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Dados e Informações Estratégicas em Saúde da Secretaria de Informação e Saúde Digital (DEMAS/SEIDIGI/MS). Ele recuperou a trajetória da Ripsa desde sua criação, em 1996, em parceria com a Opas, e sua reativação, em agosto de 2023, após dez anos de paralisação, ressaltando seu papel como espaço colaborativo entre instituições de ensino, pesquisa e o Ministério da Saúde, além de afirmar sua vocação como uma rede qualificadora de informações em saúde — elo entre produção científica e gestão pública — que facilita o uso de evidências na formulação de políticas.
Sellera afirmou que a Rede representa “o retorno da ciência ao processo decisório”, ao estruturar metodologias e indicadores que hoje integram o ecossistema de dados do Ministério da Saúde, ao lado de plataformas como a Sala de Apoio à Gestão Estratégica (Sage), a Infraestrutura de Dados Espaciais do Ministério da Saúde (IDE-MS), o TabNet e o LocalizaSUS.

Indicadores de fatores de risco e proteção: atualizações e desafios

Na sequência, a profª Deborah Carvalho Malta, professora titular da Escola de Enfermagem da UFMG e coordenadora do Comitê Gestor de Indicadores (CGI) de Fatores de Risco e Proteção da Ripsa, apresentou os avanços recentes do CGI. Ela apresentou o trabalho de produção, atualização e alinhamento que está sendo feito com os indicadores do tema e destacou o fortalecimento que ocorrerá com a publicação da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2026. A coordenadora chamou ainda atenção para a ausência de indicadores nacionais sobre sobrepeso e obesidade em adolescentes, tema que demanda novos estudos.
Entre os resultados estruturantes do CGI, ela citou: apoio à pesquisa epidemiológica, fortalecimento da vigilância, intersetorialidade, monitoramento da saúde da população, planejamento de políticas e identificação de desigualdades sociais e regionais.


Estimativas populacionais e precisão dos dados

A mesa também contou com Denise Lopes Porto, profissional de estatística do Ministério da Saúde e integrante da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS). Ela ressaltou a importância das estimativas populacionais para a precisão dos indicadores de saúde, apontando a necessidade de conhecer a granularidade territorial do dado e dos desafios metodológicos para desagregação por idade e sexo.
Denise detalhou que as estimativas são construídas a partir das projeções populacionais, de dados do TCU e de resultados dos Censos Demográficos. Ela também destacou o papel da Ripsa, ao criar o Comitê Temático Interagencial (CTI) de Estimativas Municipais, composto por 13 instituições, e informou que estão em andamento estudos metodológicos sobre a variável raça/cor, tema fundamental para mensurar desigualdades.

Governança e o futuro digital da informação

Felipe Ferré, Assessor Técnico do Conselho Nacional de Secretário de Saúde (Conass), discutiu a perspectiva da governança dos dados em saúde. Ele afirmou que a Ripsa continua essencial para superar a fragmentação informacional, a “torre de Babel” dos dados, e reforçou a importância da saúde digital na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ferré destacou que o volume massivo de dados do Ministério (“bilhões de registros de alto valor”) exige um modelo que combine autonomia local com coordenação nacional. Para ele, a “Ripsa do amanhã” deve ser vista como uma instância de cuidado com dados.

Qualificação de indicadores e o Portal Ripsa

A mesa foi encerrada por Juliana Sousa, da BIREME/OPAS/OMS, que apresentou o Portal da Ripsa, detalhando o fluxo de criação das Fichas de Qualificação do Indicador (FQI) e as ferramentas disponíveis para técnicos, pesquisadores e gestores.

Apresentação no estande do Ministério da Saúde

Mais tarde, no estande do Ministério da Saúde, ocorreu uma nova apresentação sobre a Ripsa e a produção de indicadores de saúde, conduzida por Juliana Sousa.
Nesse momento, ela demonstrou mais a fundo o uso do Portal, explicou como tornar-se membro por meio do site www.ripsa.org.br e apresentou os produtos previstos para 2026, incluindo a 3ª edição do Livro Verde – Indicadores básicos para a saúde no Brasil da Ripsa.
A Ripsa auxilia estrategicamente a integração, qualificação e transparência dos dados, permanecendo como pilar para orientar políticas mais eficazes, reduzir desigualdades e fortalecer o SUS diante dos desafios do século XXI.