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Socioeconômicos  

Índice de Gini da renda domiciliar per capita - B.9 - 2010

-Conceituação

    Mede o grau de concentração da distribuição de renda domiciliar per capita de uma determinada população e em um determinado espaço geográfico.

-Interpretação

  • Quando o índice tem valor igual a um (1), existe perfeita desigualdade, isto é, a renda domiciliar per capita é totalmente apropriada por um único indivíduo. Quando ele tem valor igual à zero (0), tem-se perfeita igualdade, isto é, a renda é distribuída na mesma proporção para todos os domicílios.
  • Quanto mais próximo da unidade, maior a desigualdade na distribuição de renda.

-Usos

  • Analisar diferenciais na concentração da renda pessoal ao longo de toda a distribuição de renda.
  • Contribuir para a análise da situação socioeconômica da população, identificando segmentos que requerem maior atenção de políticas públicas de saúde, educação e proteção social, entre outras.
  • Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas de distribuição de renda.

-Limitações

  • A informação está baseada na "semana anual de referência" em que foi realizada a pesquisa, refletindo apenas a renda informada naquele período.
  • Os dados são fornecidos espontaneamente pelo informante, que pode ser seletivo nas suas declarações.
  • A fonte usualmente utilizada para construir o indicador (PNAD) não cobria até 2003 a zona rural da região Norte (exceto Tocantins). Além disso, a PNAD não permite a desagregação dos dados por município.
  • Esse índice é pouco sensível a redistribuições de renda que afetam os extremos inferiores da distribuição1.
  • 1 Um bom indicador de desigualdade deve atender alguns critérios: ser insensível a mudanças de escala ou transferências proporcionais: (i) deve ser independente em relação à media da distribuição, isto é, não sobre alteração se todas a rendas forem alteradas na mesma proporção; (ii) permanecer inalterado se o número de pessoas em cada nível de renda se alterar na mesma proporção; (iii) uma transferência de uma pessoa mais rica para outra mais pobre deve melhorar o indicador de renda (isto é, ele deve mostrar queda na desigualdade; (iv) apresentar sensibilidade maior para transferências entre pessoas na parte inferior da distribuição do que entre aquelas na parte superior; (v) ser aditivamente decomponível. (Fundação João Pinheiro. Definição e metodologia de cálculo dos indicadores e índices de desenvolvimento humano e condições de vida. In: UNDP. Relatório de Desenvolvimento Humano, 2000.

-Fonte

    IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

-Método de Cálculo

  • O coeficiente de Gini se calcula como uma razão das áreas no diagrama da curva de Lorenz. Se a área entre a linha de perfeita igualdade e a curva de Lorenz é a, e a área abaixo da curva de Lorenz é b, então o coeficiente de Gini é a/(a+b). Esta razão se expressa como percentagem ou como equivalente numérico dessa percentagem, que é sempre um número entre 0 e 1.
  • O coeficiente de Gini pode ser calculado com a Fórmula de Brown, que é mais prática:
  • onde:
  • G = coeficiente de Gini
  • X = proporção acumulada da variável "população"
  • Y = proporção acumulada da variável "renda"
  • Se existe perfeita igualdade, então todos tem a mesma renda e pode-se escolher quaisquer dois indivíduos para colocar na fórmula que dará o mesmo resultado. Escolhendo-se o primeiro e o último indivíduo, então (Xk+1 – Xk = 1) e (Yk+1 + Yk = 1) e G fica igual a zero. No caso de desigualdade máxima, apenas um indivíduo detém toda a renda do país, quaisquer indivíduos escolhidos dará (Yk+1 + Yk = 0), e G fica igual a um. Essa soma é, então, sempre um número entre 0 e 1.

-Categorias Sugeridas para Análise

    Unidade geográfica: Brasil, grandes regiões, estados, Distrito Federal e regiões metropolitanas.

-Dados Estatísticos e Comentários

Índice de Gini por ano, segundo grandes regiõesBrasil, 1992, 1995, 1998, 2001, 2004, 2007 e 2008
Região 1992 1995 1998 2001 2004 2007 2008
Brasil 0,580 0,599 0,598 0,594 0,570 0,554 0,545
Norte 0,560 0,585 0,582 0,566 0,540 0,533 0,510
Nordeste 0,591 0,602 0,609 0,598 0,581 0,564 0,556
Sudeste 0,544 0,564 0,563 0,564 0,539 0,520 0,514
Sul 0,545 0,563 0,555 0,545 0,519 0,502 0,493
Centro-Oeste 0,586 0,581 0,599 0,595 0,569 0,572 0,564
Fonte: IBGE. PNADs, 1992 a 2008. Elaboração própria NINSOC/Ipea.
Notas:
1.Informações da PNAD não disponíveis, até o ano de 2003, para as áreas rurais de RO, AC, AM, RR, PA e AP.
2.As PNADs não foram realizadas em 1994 e 2000.
De 1992 a 2008, a desigualdade de renda medida pelo Índice de Gini reduziu-se no Brasil, bem como em todas as grandes regiões. Em 2008, o índice de Gini para o Brasil foi 0,545. Com um índice superior a 0,50, o país ainda apresenta uma elevada desigualdade. No mesmo ano, a menor desigualdade de renda medida pelo índice de Gini foi registrada na região Sul (0,493), ao passo que a maior desigualdade fio registrada na região Centro-Oeste (0,564).