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Socioeconômicos  

Níveis de escolaridade - B.2 - 2011

-Conceituação

Distribuição percentual da população residente de 15 e mais anos de idade, por grupos de anos de estudo, em determinado espaço geográfico, no ano considerado.

-Interpretação

  • Expressa níveis de instrução da população de 15 e mais anos de idade.
  • O nível de instrução inferior a quatro anos de estudo tem sido utilizado como proxy do analfabetismo funcional, embora o significado deste conceito seja mais amplo1.
    1 Analfabeto funcional é o indivíduo que não pode participar em atividades nas quais a alfabetização é requerida para atuação eficaz em seu grupo ou comunidade, nem fazer uso contínuo da leitura, da escrita e da aritmética para desenvolvimento próprio e de sua comunidade (UNESCO. Alfabetismo funcional en siete países de América Latina. Santiago, 2000).

-Usos

  • Analisar variações geográficas e temporais dos níveis de escolaridade, identificando situações que podem demandar necessidade de avaliação mais profunda.
  • Dimensionar a situação de desenvolvimento educacional, dos diferentes grupos populacionais.
  • Propiciar comparações nacionais e internacionais dos níveis de escolaridade da população.
  • Contribuir para a análise dos fatores condicionantes da situação de vida e de saúde, utilizando o indicador como proxy da condição socioeconômica da população.O nível de escolaridade dos responsáveis pela condução da família tem influência significativa sobre as condições de atenção à saúde das crianças.
  • Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas públicas de saúde e de educação. O grau de escolaridade é elemento essencial a ser considerado na abordagem da população quanto às práticas de promoção, proteção e recuperação da saúde.

-Limitações

  • A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), uma das fontes usualmente utilizadas para construir esse indicador, não cobre a zona rural da região Norte (exceto o estado do Tocantins) até 2003 e não permite a desagregação dos dados por município.
  • Uma vez que a amostra da PNAD não foi desenhada para ser representativa para todas as cores/raças, os indicadores para índios, amarelos e pretos devem ser vistos com muita cautela, pois estes grupos são muito pequenos em alguns estados e regiões. Quanto aos brancos e pardos, suas amostras são mais robustas, oferecendo maior garantia de uso.
  • As diferenças entre os planos amostrais do Censo-2000 e da PNAD podem impossibilitar a comparação entre os indicadores obtidos destas fontes.

-Fonte

IBGE: Censo Demográfico e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

-Método de Cálculo

  • Número de pessoas residentes de 15 e mais anos de idade, por grupo de anos de estudo x 100
    População total residente desta faixa etária
  • -Categorias Sugeridas para Análise

    • Unidade geográfica: Brasil, grandes regiões, estados, Distrito Federal e regiões metropolitanas.
    • Sexo: masculino e feminino.
    • Escolaridade: menos de um, um a três, quatro a sete, oito e mais anos de estudo.
    • Situação do domicílio: urbana e rural.
    • Cor/raça, conforme a classificação do IBGE: branca, preta, amarela, parda e indígena.

    -Dados Estatísticos e Comentários

    Proporção (%) da população de 15 anos e mais de idade com escolaridade inferior a quatro anos de estudo, segundo situação de domicílio
    Brasil e grandes regiões, 1993, 1997, 2001 e 2005
    Regiões Urbana Rural Total
    1993 1997 2001 2005 1993 1997 2001 2005 1993 1997 2001 2005
    Brasil * 29,2 26,0 22,8 19,3 62,4 57,8 54,1 45,8 35,8 32,0 27,5 23,5
    Norte ** 34,1 31,0 26,6 21,9 70,6 61,0 57,7 43,8 36,0 32,5 27,7 27,1
    Nordeste 41,2 38,0 33,9 28,5 76,4 72,3 67,3 56,7 53,8 49,7 43,2 36,3
    Sudeste 24,8 21,7 18,3 15,8 55,6 48,7 45,1 38,4 28,1 24,5 20,5 17,5
    Sul 24,4 21,7 18,7 15,6 37,7 33,4 33,4 29,5 27,5 24,3 21,4 18,0
    Centro-Oeste 29,6 25,0 23,3 19,0 50,4 48,7 44,8 36,8 33,5 29,0 26,1 21,4
    Fonte: IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
    *: Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá em 1993, 1997 e 2001.
    **: População rural apenas para o estado do Tocantins em 1993, 1997 e 2001.
    A tabela mostra que a proporção de analfabetos funcionais vem decrescendo ao longo da década, mas ainda mantém-se em níveis elevados, mesmo na área urbana (19,3%, em 2005). No meio rural, quase a metade dos adultos (45,8%) tinha, em 2005, escolaridade inferior a quatro anos de estudo, proporção que variou de 56,7%, no Nordeste, a 29,5%, no Sul.