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Morbidade e Fatores de Risco  

Incidência de cólera - D.1.9 - 2011

-Conceituação

  • Número de casos novos confirmados de cólera (código A00 da CID-10), na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
  • A definição de caso confirmado de cólera baseia-se em critérios adotados pelo Ministério da Saúde para orientar as ações de vigilância epidemiológica da doença em todo o país1.
    1 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância : Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – 6. ed. – Brasília :Ministério da Saúde, 2005. p.187. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

-Interpretação

  • Indica a freqüência anual de casos confirmados de cólera, ou seja, a intensidade com que a doença acomete a população.
  • A ocorrência de casos autóctones de cólera decorre da existência de fatores favoráveis à transmissão do Vibrio cholerae, a partir da circulação de indivíduos infectados (geralmente portadores) em comunidades que apresentam condições insatisfatórias de saneamento básico, habitação e higiene.
  • Reflete, em geral, baixos níveis de desenvolvimento socioeconômico e de atenção à saúde da população.

-Usos

  • Analisar variações populacionais, geográficas e temporais na distribuição dos casos confirmados de cólera, como parte do conjunto de ações de vigilância epidemiológica da doença.
  • Contribuir para a avaliação e orientação das ações de controle da cólera, prestando-se para comparações nacionais e internacionais.
  • Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas e ações de saúde direcionadas para a prevenção e tratamento da cólera e de outras doenças transmitidas pela água e alimentos, particularmente as diarréicas agudas.

-Limitações

  • Depende das condições técnico-operacionais do sistema de vigilância epidemiológica, em cada área geográfica, para detectar, notificar, investigar e realizar testes laboratoriais específicos para a confirmação diagnóstica de casos de cólera.
  • Sofre influência das baixas condições socioeconômicas e de prestação de serviços, geralmente presentes nas áreas mais suscetíveis à transmissão da cólera, o que favorece a subnotificação de casos, sobretudo as formas leves e na fase inicial de surtos.
  • Demanda atenção na análise de séries históricas já que, em situações epidêmicas, os casos leves e moderados – que constituem a maioria das ocorrências – tendem a ser confirmados somente em base clínico-epidemiológica, o que pode gerar sobrenotificação pela inclusão de casos de doenças diarréicas sem confirmação laboratorial de cólera.

-Fonte

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância ): base de dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica [boletins de notificação semanal e Sistema Nacional de Agravos de Notificação – Sinan (a partir de 1998)].

-Método de Cálculo

  • Somatório anual do número de casos novos de cólera confirmados em residentes.
  • -Categorias Sugeridas para Análise

    • Unidade geográfica: Brasil, grandes regiões, estados, Distrito Federal, regiões metropolitanas e municípios com casos confirmados.
    • Faixa etária: menor de 1 ano, 1 a 4, 5 a 9, 10 a 19, 20 a 39, 40 a 59 e 60 anos e mais.

    -Dados Estatísticos e Comentários

    Casos confirmados de cólera, por ano, segundo região
    Brasil, 1990 a 2005
    Regiões 1991 1993 1996 1999 2002 2005
    Brasil 2.103 60.340 1.017 4.759 3 6
    Norte 2.095 1.445 81 - - -
    Nordeste 7 58.454 936 4.279 3 6
    Sudeste - 435 - 13 - -
    Sul - 6 - 467 - -
    Centro-Oeste 1 - - - - -
    Fonte: Ministério da Saúde/SVS - Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan)
    Nota: Dados sujeitos a revisão (atualizado em setembro/2006). Não houve casos em 1990.
    O período analisado abrange toda a história recente da ocorrência da cólera no Brasil, após um século de ausência da doença. Reintroduzida pela fronteira com o Peru, em cólera expandiu-se em forma epidêmica nas regiões Norte e Nordeste, fazendo incursões ocasionais nas demais regiões do país. A partir de doença tornou-se endêmica, com 95% dos casos concentrados na região Nordeste.
    Em 2001, ocorre uma grande queda no número de casos, chegando a nenhum caso confirmado em 2003. Isto pode estar relacionado a vários fatores, tanto os relacionados aos indivíduos, como o esgotamento de suscetíveis, como os relativos ao agente etiológico e ao meio ambiente, hipóteses que podem ser reforçadas pela mesma tendência de redução ocorrida a partir de 1995 em outros países das Américas e mesmo em outros continentes.