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Morbidade e Fatores de Risco  

Incidência de raiva humana - D.1.7 - 2011

-Conceituação

  • Número absoluto de casos novos confirmados de raiva humana (código A92 da CID-10), na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
  • A definição de caso confirmado de raiva baseia-se em critérios adotados pelo Ministério da Saúde para orientar as ações de vigilância epidemiológica da doença em todo o país1.
    1 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância : Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – 6. ed. – Brasília :Ministério da Saúde, 2005. p.603. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

-Interpretação

  • Indica a freqüência anual de casos confirmados de raiva humana, ou seja, a intensidade com que a doença acomete a população.
  • Resulta da infecção pelo vírus da raiva (gênero Lyssavirus), transmitido por animais infectados através de mordedura e arranhadura de pele ou lambedura de mucosas. Em áreas urbanas, os transmissores mais importantes são o cão e o gato. O ciclo silvestre da doença é mantido principalmente por morcegos hematófagos.
  • Indica deficiência das ações dirigidas à população animal (vacinação de cães e controle de animais vadios) e da atenção aos indivíduos expostos ao risco de doença (tratamento profilático humano e diagnóstico de animais agressores), particularmente no meio urbano e nas áreas rurais de ocorrência da raiva animal.

-Usos

  • Analisar variações populacionais, geográficas e temporais na distribuição dos casos confirmados de raiva humana, como parte do conjunto de ações de vigilância epidemiológica e ambiental da doença.
  • Contribuir para a avaliação e orientação das ações de tratamento profilático anti-rábico e de controle das fontes de infecção (observação, captura e diagnóstico de animais suspeitos, vacinação de animais domésticos e controle da população de morcegos hematófagos).
  • Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas e ações de saúde direcionadas ao controle da raiva humana e animal.

-Limitações

Depende das condições técnico-operacionais do sistema de vigilância epidemiológica, em cada área geográfica, para detectar, notificar, investigar e realizar testes laboratoriais específicos para a confirmação diagnóstica de casos de raiva humana.

-Fonte

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância ): base de dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica [boletins de notificação semanal e de Agravos de Notificação – Sinan (a partir de 1998)].

-Método de Cálculo

  • Somatório anual do número de casos novos de raiva humana confirmados em residentes.
  • -Categorias Sugeridas para Análise

    • Unidade geográfica: Brasil, grandes regiões, estados, Distrito Federal, regiões metropolitanas e municípios das capitais.
    • Sexo: masculino e feminino.
    • Faixa etária: menor de 1 ano, 1 a 4, 5 a 9, 10 a 19, 20 a 39, 40 a 59 e 60 anos e mais.
    • Situação do domicílio: rural e urbana.

    -Dados Estatísticos e Comentários

    Casos confirmados de raiva, por ano, segundo região
    Brasil, 1990 a 2005
    Regiões 1990 1993 1996 1999 2002 2005
    Brasil 73 50 25 26 10 44
    Norte 7 9 9 7 5 17
    Nordeste 53 25 11 11 4 26
    Sudeste 4 13 - 4 1 1
    Sul - - - - - -
    Centro-Oeste 9 3 5 4 - -
    Fonte: Ministério da Saúde/SVS - Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan)
    Nota: Dados sujeitos a revisão (atualizado em setembro/2006).
    No início da década de incidência de raiva humana manteve a tendência de declínio que vinha ocorrendo desde a instituição do programa de controle, nos anos partir de 1994, observa-se uma diminuição significativa no número de casos em relação aos anos anteriores e, posteriormente, certa estabilidade até o final da década, apresentando uma concentração nas regiões Nordeste e Norte, enquanto a região Sul mantém-se livre da doença. Apesar de ter diminuido o número de casos a partir de transmissão por contato com cães infectados se mantém em algumas capitais e representa o principal mecanismo de infecção em decorrência do não atingimento das metas de cobertura de vacinação na população canina. A partir de 2003, observa-se um aumento na incidência de casos.