Folheto Indicadores da Bahia

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 capaIDBripsa2010   Neste folheto apresenta-se uma síntese da base de dados da Ripsa Bahia, disponível de forma completa na página www.ba.ripsa.org.br. Trata-se do primeiro produto da Rede no estado, ainda incompleto, que irá sendo aprimorado nos próximos números.

Os dados, em sua maioria, são preliminares e referem-se ao ano de 2009, sendo que os valores foram extraídos de uma base fixa no tempo para o referido ano.
Ressalta-se que para a maioria dos indicadores aqui apresentados foram efetuados cálculos diretos, apesar das limitações relacionadas às coberturas dos sistemas de informação no estado. Para municípios de pequeno porte populacional, optou-se por apresentar números absolutos para alguns dos indicadores, especialmente de mortalidade, devido às distorções apresentadas com o uso de pequenos números de eventos.

Nesta primeira edição do IDB Ripsa Bahia destacou-se a abordagem da Dengue, como tema do ano, considerando-se a relevância epidemiológica do tema, devido à morbimortalidade e transcendência social e econômica desde a reemergência do problema no Estado da Bahia, há cerca de 15 anos.

A doença é atualmente a mais importante arbovirose que afeta o homem, especialmente nos países tropicais, onde as condições do ambiente – caracterizadas por áreas urbanas com grande densidade populacional, deficiências de acesso à água e limpeza urbana insuficiente ou inexistente – favorecem o desenvolvimento e proliferação do principal mosquito vetor, o Aedes aegypti. A infestação pelo vetor é um modulador da transmissão, condicionada pela regularidade e efetividade da estratégia de intervenção adotada: erradicação, eliminação ou controle, porém fortemente influenciada pelos determinantes ambientais.

Durante as epidemias que atingiram o País na década de 1980, o sorotipo DENV-1 causou um surto, em 1987, na cidade de Ipupiara, localizada na região Oeste, sem que houvesse propagação para o restante do estado. Após esse período, a doença foi reintroduzida na Bahia em 1995, com o sorotipo DENV-2, seguido do DENV-1, em 1997 e do DENV-3, em 2002. A partir de 2006, a transmissão tem se caracterizado por epidemias a cada seis anos, de magnitude marcadamente superior a precedente (Gráfico 1).

Até o final do ano de 2009, foram notificados 123.104 casos de Dengue na Bahia, correspondendo a um aumento de 139% em relação a 2008 (50.727). A taxa de incidência para o estado em 2009 foi de 841 casos/100.000 hab. No período, 405 (97%) municípios foram atingidos pela doença, entre os quais destacaram-se: Itabuna, Jequié, Salvador, Feira de Santana, Irecê, Ilhéus, Porto Seguro, Barreiras e Eunápolis, por concentrarem 47% das notificações (Mapa da capa).

Quanto às formas graves da doença: Dengue com complicações (DCC), Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e Síndrome do Choque da Dengue (SCD), registraram-se 2.507 casos suspeitos em 180 municípios. Destes, confirmaram-se 1.947 casos graves e 67 óbitos, sendo a letalidade registrada naquele ano de 3,4%. Por outro lado, o maior acometimento dos menores de 15 anos (Gráfico 2) tem se configurado numa preocupação permanente para a Sesab, devido à velocidade da evolução clínica grave, bem como ao risco potencial de morte nesse grupo etário.

A notificação de casos em comparação com as hospitalizações por Dengue no período de referência demonstra progressão das internações, influenciada pela interiorização da doença, bem como pela circulação simultânea dos sorotipos do vírus no Estado da Bahia (Gráfico 3).

Após a introdução do sorotipo 3, foram registrados 87.079 casos e 10.889 hospitalizações em 2002, valores que se elevaram respectivamente, para 123.882 e 16.395 em 2009. No que se refere ao risco de adoecer, as taxas de incidência apresentaram variações entre 1997 e 2009, cujo menor valor foi registrado em 2004, com 0,5 casos por 1.000 habitantes, elevando-se para 8,5 casos por 1.000 habitantes em 2009, a mais elevada da série. As formas graves da doença que demandaram hospitalização apresentaram taxas entre 0,6 internações por 10.000 habitantes em 1999 e 11,2 internações por 10.000 habitantes em 2009 (Gráfico 3).